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Para abordarmos o assunto na qual a Europa vem passando, precisamos entender alguns dos fatores que levaram a atual situação.

Os países de modo geral para terem recursos suficientes para realizarem tudo o que gostariam, como investimentos em infraestrutura, incentivos fiscais, hospitais e tratamentos médicos gratuitos, um bom pacote de aposentadoria, cidades limpas, bem organizadas e estruturadas, etc… ou seja, para manter todo esse bem estar social, os recursos provindos dos pagamentos dos impostos não são suficientes e para obter mais dinheiro para manter um bom padrão de vida, os países vendem “papéis” em troca de dinheiro. Esses papéis é comprado geralmente por bancos do próprio país e internacionais, bem como outros países comprando dividas de outros, como por exemplo a China que é a maior detentora da divida dos EUA.

Com o passar do tempo, a venda desses papéis vai gerando mais e mais divida do governo com seus credores até chegar a um ponto que não há mais como pagar e em alguns casos ninguém quer mais comprar esses papéis devido a desconfiança de um calote ou em ato de desespero, o pais paga altíssimos juros pagos a quem comprar esses papéis ou para rolarem suas dívidas para datas mais futuras possíveis, acabam pagando mais juros por isso, entrando assim numa bola de neve de divida com seus credores.

Como disse acima, essa é um dos fatores que leva a atual crise que a Europa tem passado.

Estamos falando até então de dívida pública, sem levar em consideração a divida privada que são de empresas e indivíduos endividados. Essa dívida privada leva bancos a fazerem empréstimos que muitas vezes acabam não sendo pagos, gerando insolvência dos bancos a continuar com suas atividades. Esses mesmos bancos são os bancos que compram a divida do governo e que acabam por não receber, sem também levar em conta empréstimos pro setor imobiliário na qual já é de conhecimento a bolha imobiliária nos EUA em 2008.

Resumindo, temos um país ou países quebrados, ou seja, endividados, sem liquidez financeira, tanto publica quanto bancária.

Bem, diante dessa crise, países da Europa em situação caótica como Irlanda, Portugal, Espanha, Grécia e Itália, receberam grandes injeções do BCE (Banco Central Europeu) e FMI (Fundo Monetário Internacional) para saldarem suas dividas de forma geral, para evitar um possível calote com todos seus credores.

O que acontece é que todo esse dinheiro extra (vamos dizer assim) não tem sido suficiente para os países pagarem todas as suas dividas e ao mesmo tempo fazer investimentos para incentivar o crescimento do país, o pais crescendo, gera mais arrecadação de impostos ajudando a pagar seus credores, gerando mais renda a população, diminuindo o desemprego e por ai vai.

Vamos falar um pouco sobre crescimento da economia do país. Todo crescimento da economia é medido através do PIB (Produto Interno Bruto) que é a soma de todos os bens e serviços para mensurar a atividade econômica.

Para que haja um crescimento sustentável do PIB é necessário diversas medidas tais como: incentivo fiscal por parte do governo, crescimento da renda salarial dos trabalhadores,baixa inflação,  juros baixos para tomada de empréstimo que consequentemente aumenta o consumo, investimentos gerais por parte do governo e empresas.

Por que o PIB não tem crescido na Europa? Além da evidente crise que se encontra de forma geral, foi adotado pelas suas devidas autoridades um plano de austeridade fiscal, ou seja, o governo cortou todos os possíveis e impossíveis gastos, investimentos, incentivos, redução de salário dos servidores públicos, aumento da idade mínima de aposentadoria, etc.

Esse tema de austeridade fiscal é muito polêmico, pois por um lado o governo deixa de gastar com o intuito de guardar dinheiro para pagar seus credores, dividas, etc, porém por outro lado o país não cresce, não se desenvolve, aumenta consideravelmente a taxa de desemprego, o país entra em recessão (3 trimestres seguidos de queda do PIB).

Atualmente tem se adotado a total austeridade fiscal, porém esta com os dias contados, devido a queda de Sarkozy, na França e Angela Merkel na Alemanha que sofreu uma nova derrota, mostrando claramente que já esta se revendo o plano de austeridade fiscal.

É um tema polêmico como disse, pois é preciso encontrar um meio termo entre o crescimento sustentável com incentivos governamentais e políticas de austeridade fiscal.

Vamos simular dois cenários para vermos o quão complicado está essa situação europeia:

Austeridade Fiscal: Como introduzido acima, o governo deixa de fazer qualquer tipo de investimento, fecha as torneiras, faz de tudo para não gastar com nada, economiza o que pode e o que não pode, se esforça ao máximo para guardar todo o dinheiro e pagar suas dividas, ou seja, o pais praticamente para em prol do pagamento do que pode de sua divida.

As consequências da austeridade fiscal são: desemprego, pois as empresas não vendem, o que gera queda do PIB, pois sem venda, nada cresce, principalmente a economia. O lado positivo que o governo deixa de fazer todos esses investimentos e incentivos e direciona todo o dinheiro para pagamento de suas dívidas.

Programa de Incentivo: O governo faz o contrário da austeridade fiscal, ou seja, investe em sua economia, dando incentivos de todos os gêneros, concedendo crédito a população e empresas. Havendo demanda há compra que há aumento do PIB que há aumento saudável da inflação que há um também aumento saudável da taxa de juros que há maior recolhimento de impostos para pagamento de dividas.

Então porque optar por austeridade como se tem feito em vez de um forte programa de incentivo? A resposta é:  quem garante que tudo vai acontecer conforme rege a teoria? Quanto tempo levaria para o incentivo do governo maturar e gerar riquezas para pagar a divida? São essas e outras perguntas que por hora tem levado alguns governos a austeridade, na qual acreditam que é a saída “menos pior”.

No Brasil temos algo parecido, um eterno dilema entre JurosXInflaçãoXPIB. Temos uma das maiores taxas de juros do mundo (SELIC), apesar de estar baixando cada vez mais e atualmente está em 8%,  quanto maior os juros, os preços naturalmente sobem, pois haverá uma menor demanda de compra devido a menos dinheiro na mão do povo. Consequência: Baixo crescimento (PIB baixo), se o oposto ocorre, temos um sólido crescimento do PIB, porém gerando inflação. Gera inflação pois os preços em geral irão subir com o aumento da demanda.

Os EUA tem saído aos poucos da crise, a taxa de juros atual está praticamente a 0%, a taxa de desemprego ainda muito volátil, muito dinheiro foi despejado na economia  como forma de incentivo. O que podemos diferenciar da Europa, que os EUA tem incentivado ao consumo, baixando a taxa de juros ao mínimo, concedendo crédito fácil a população, fazendo investimentos em setores chaves da economia, etc.. O que muitos economistas tem alertado é que muito dinheiro foi derramado na economia, não somente nos EUA, mas também Europa, e que esse dinheiro ainda não chegou nas mãos da população, está retida para liquidez de bancos e investidores, porém quando chegar na linha final que é em posse da população, isso pode gerar uma fortíssima inflação, obedecendo a teoria de quanto mais dinheiro, mais liquidez e acesso a crédito. Agora é esperar para ver como todo esse cenário se comportará.

Não podemos também deixar de mencionar que toda essa crise dos EUA & Europa acaba afetando grande parte de outras regiões do mundo, como o Brasil. Essas duas regiões são destinos de grande parte de exportações de muitos países. Solução: Diversificar as exportações para outros países e aquecer o mercado interno para que o crescimento do país não seja apenas dependente das exportações como a China.

Para resumir, os EUA esta no “caminho certo”, porém a um ritmo muito lento. O grande problema é que são um pais altamente endividado, com podem ver no site: http://usdebtclock.org/ .

Europa ainda muito indecisa se continua adotando a austeridade como saída da crise ou por meio de incentivos.

O Brasil apesar dos vários incentivos concedidos pelo governo a indústria não terem surtido o feito esperado esta de certa forma no caminho certo, com um bom mercado interno, inflação razoavelmente controlada e razoáveis perspectivas de crescimento principalmente agora no segundo semestre de 2012.

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